O uso do protetor solar é capaz de bloquear cerca de 95% dos raios ultravioletas (UV) do sol. Essa proteção é muito importante, porque reduz os riscos de câncer de pele e do envelhecimento precoce, além das manchas que aparecem pelo efeito cumulativo da exposição solar. Só que o protetor solar também bloqueia a Vitamina D, essencial para evitar vários problemas de saúde, como Osteoporose, Hipertensão Arterial e Depressão, só para citar alguns.

É isso mesmo: cerca de 80% a 90% da necessidade diária de Vitamina D é ativada no nosso organismo pelos raios UV do tipo B, o que provoca mais danos à pele. É bom lembrar que a maior concentração desses raios solares ocorre entre 10h e 16h.

Quer saber como o sol acorda a Vitamina D no nosso corpo?

Temos na nossa pele um composto químico (chamado 7-dehidrocolesterol). Ao incidir sobre nossa pele, a radiação UVB converte esse composto em pré-vitamina. Em seguida ela vai até o fígado, usando uma proteína como transporte. Ali, sofre mais uma modificação e segue para os rins, sendo metabolizada e se transformando em Vitamina D na forma ativa. 

A jornada continua para vários órgãos e tecidos, tendo ações diferentes em cada um deles.

Para você ter uma ideia, a Vitamina D fortalece nosso sistema imunológico e age para deixar nossos ossos fortes, para regular a presença de cálcio e ferro no sangue, também regula a secreção de insulina, controla a pressão arterial e as funções cardíacas, entre muitas outras ações.

Por isso, há uma forte preocupação dos profissionais de saúde em relação aos nossos níveis de Vitamina D, o que é possível saber através de um exame de sangue. Nos últimos anos, essa preocupação aumentou muito, porque o número de pessoas com deficiência de Vitamina D é assustador: são 3,6 bilhões, ou seja, a metade da população mundial, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).

O problema, considerado de saúde pública, ocorre inclusive no Brasil, onde temos sol praticamente o ano inteiro. O estudo “Is vitamin D deficiency a major global public health problem?” (A deficiência de vitamina D é um grande problema de saúde pública global?), de 2014, mostrou a prevalência mundial da deficiência de vitamina D na população adulta. No Brasil, ela é de 77%, à frente de países como Índia (66%), Finlândia (65%) e Alemanha (57%). Já a prevalência em países como Espanha, Austrália e Estados Unidos fica entre 30% e 40%.

O que fazer, então?

O ideal é, primeiro de tudo, fazer um exame de sangue que indique o seu nível de Vitamina D. Até para saber se precisa de um acompanhamento médico, o qual poderá recomendar suplementos alimentares, além da exposição solar e dieta rica em Vitamina D.

Com ou sem deficiência, é recomendado tomar sol diariamente, entre as 10h e 16h, por 10 a 20 minutos, que são suficientes para ativar a quantidade de vitamina D que precisamos. Nesse curto espaço de tempo, deixe à mostra pelo menos braços e pernas e não use filtro solar, nem com fator de proteção 8. Porém, proteja as áreas mais sensíveis, como rosto, pescoço e colo.

Passados esses 10 a 20 minutos, se for continuar sob os raios solares – por exemplo, quando está passando o final de semana ou as férias na praia ou piscina –, siga o que os especialistas recomendam: até às 16h, evite a exposição ao sol ou garanta o máximo de proteção, ou seja, protetor solar acima de 30 FPS, óculos de sol, chapéu e fique na sombra do guarda-sol, por exemplo, ou então utilize alguma roupa que proteja sua pele dos raios ultravioletas.

Se tomar sol por alguns minutos diariamente está fora de cogitação para você, então reforce o consumo de alimentos que são fontes de Vitamina D, como salmão, atum, sardinha, leite, ovo e carne bovina, entre outros. Entretanto, como a quantidade de Vitamina D nesses alimentos é insuficiente para a necessidade diária, a alternativa é recorrer aos suplementos alimentares com esse nutriente.

Os suplementos são indicados só para quem comprovou que está com os níveis abaixo do ideal no exame de sangue. Se você não está com Vitamina D insuficiente, ao tomar um suplemento corre o risco de hipervitaminose D. A consequência é a elevação do nível de cálcio, podendo causar danos aos ossos, tecidos moles e rins, com o passar do tempo. 

Estudos recentes apontam divergência

A todo momento surgem novas pesquisas com o objetivo de entender a relação entre os raios solares e a Vitamina D. Um dos mais recentes foi publicado em novembro de 2019 pelo British Journal of Dermatology (BJD). O estudo concluiu que o uso diário de protetor solar de amplo espectro (com fatores de proteção contra os raios UVA e UBV) não afeta a produção de Vitamina D em pessoas saudáveis.

Essa conclusão reforça a pesquisa da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD), divulgada em 2018, a qual indicou que as pessoas que tomaram sol com protetor entre 10 a 15 minutos apresentaram aumento de Vitamina D no sangue em relação ao medido antes da exposição.

Não houve diferença significativa com o resultado encontrado pela SBD no grupo que se expôs ao sol, também por 10 a 15 minutos, sem protetor. Mas ambos os grupos tiveram aumento de vitamina D acima do terceiro grupo, que ficou longe da luz solar, em local confinado.

Baseados nesses resultados da SBD, alguns especialistas acreditam que, talvez, baste a incidência dos raios ultravioleta sobre o couro cabeludo para que a vitamina seja ativada. 

O estudo britânico, do BJD, chegou ainda a outra conclusão: As pessoas que apresentam fotossensibilidade (reações incomuns de sensibilidade extrema da pele quando expostas a fontes luminosas) e que recorrem a protetor solar, roupas de proteção e sombra, têm comprometimento dos níveis de vitamina D e, por isso, necessitam de suplementação.

A dissonância entre as opiniões científicas, quanto ao protetor solar impedir ou não a ação do sol na produção de Vitamina D, deve continuar a existir até novos estudos comprovarem definitivamente quem tem razão. Até lá, devemos garantir bons níveis de Vitamina D no nosso organismo, seja com exposição ao sol por alguns minutos, todos os dias, sem protetor, seja com alimentação e suplementação.